O que acontece quando o mundo parece estremecer e, em vez de corrermos para acompanhar a agitação, lembramos que podemos repousar?
O ar entra e sai. A água encontra seus caminhos. O corpo pode descansar. E a consciência, quando já não precisa correr atrás de tudo aquilo que pensa, pode repousar e olhar.
Acreditamos estar vendo o mundo como ele é quando, na verdade, vemos aquilo que pensamos. Pensamos, imaginamos e, então, encontramos do lado de fora os contornos daquilo que a própria mente produziu.
“Enquanto eu penso, eu gero a realidade que eu vejo. Por isso que é tão grave. Enquanto eu tentar resolver pensando, eu estou só mexendo no meu sonho e daí não tem solução, não tem porta de saída por aí, porque a realidade afora não tem os significados que a gente imagina. O mundo afora é puro silêncio, como o espaço do universo, escuro e sem som. Nós temos uma consciência capaz de imaginar o mundo.”
Repousar no que tem força nos permite participar sem precisar transformar cada circunstância em luta.
“Enquanto as coisas ocorrem, tem uma dimensão que não se move. Existe uma mansidão, como o espaço do universo, escuro e silencioso, que abraça tudo o que existe sem dizer nada a respeito.”
A paz, então, não depende de que o mundo pare.
Ela pode estar no meio do movimento.
Pode estar junto do som.
Pode acompanhar tudo o que acontece sem precisar dizer nada a respeito.
E nós podemos participar.
Com corpo, sopro e presença.
Com bons olhos.
Marcia Baja
A gravação completa do encontro está disponível no vídeo desta página.

